[ O Poema ]
março 21, 2019![]() |
| Art by Julie De Waroquier |
"(…)o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama poema, a si próprio nunca se escreve com p, o poema dentro de si é perfume e é fumo, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo o que quero aprender se o que quero aprender é tudo, é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento, não é um torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre os telhados na hora em que todos dormem, é a última lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angustia, esperança.
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares onde sou, o poema sou eu, as tuas mãos nos meus cabelos, o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu só sei escrever o seu sentido."
[José Luís Peixoto], excerto do poema «Arte Poética», in "A Criança em Ruínas"
Adaptado para prosa, por mim.
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares onde sou, o poema sou eu, as tuas mãos nos meus cabelos, o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu só sei escrever o seu sentido."
[José Luís Peixoto], excerto do poema «Arte Poética», in "A Criança em Ruínas"
Adaptado para prosa, por mim.



7 Comentários
Um texto fantástico...amei!
ResponderEliminarBeijinho
:)
Também achei.
ResponderEliminarJá é bem antigo, mas escolhi-o para comemorar o Dia Mundial da Poesia, precisamente porque se refere a Poesia.
Beijinhos.:)
Uma das mais belas definições de poema, que tenho lido...
ResponderEliminarBelíssima partilha! Já não passava por aqui, há bastante tempo... tenho tido uns meses, um pouco atribulados, com os problemas de saúde de uma pessoa próxima... mas espero conseguir de novo, estar mais presente, por aqui...
Beijinhos! Continuação de uma óptima semana!
Ana
Um excelente texto para celebrar o dia mundial da poesia!
ResponderEliminarBeijinhos Ana
Ana,
ResponderEliminarJá sentia saudades tuas.
Obrigada pelas palavras.
Espero que o problema de saúde, dessa tua pessoa próxima, esteja melhor.
Muitos beijinhos,
Ana
Manu,
ResponderEliminarAinda bem que assim o achaste. :)
Beijinhos.
:)
Ana
O meu antivírus, está aqui a reclamar.
ResponderEliminarVou deixar a fazer scan e depois volto.
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[ Lembre-se que todos os textos e poemas deste blog, são pura ficção.
Qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência. ]