Prefiro as distâncias sinceras
do que proximidades hipócritas
Nos contextos onde abundam os hipócritas, os sinceros
são os maus e a verdade é a grande inimiga. Por isso, sempre serão preferíveis
as distâncias honestas quando os nossos valores se chocarem com a proximidade
obscura que traz máscaras de amabilidade e armaduras douradas por trás das
quais se escondem as pessoas falsas.
É muito possível que algumas pessoas não saibam que os
cientistas, sociólogos e os biólogos querem chamar o actual período terrestre de
“Antropoceno” (novo homem), em vez de Holoceno. A intenção é simples e até
inspiradora: enfatizar um período onde a humanidade tem como objectivo alcançar
um “nível” mais alto de inteligência, coesão social, harmonia, respeito e
consciência.
“A superstição e a hipocrisia trazem muito lucro, mas
a verdade sempre precisa mendigar.”
[Martinho Lutero]
[Martinho Lutero]
Todos sabemos que não é nada fácil estabelecer uma
distância com quem não nos agrada ou nos incomoda. Às vezes somos obrigados a
compartilhar o espaço com um familiar de ideias extremistas, ou mesmo com um
chefe que não tem nossos mesmos princípios morais. Contudo, o que podemos fazer
é criar espaços adequados de protecção para não cair nunca no exercício pouco
saudável da hipocrisia.
No reino da hipocrisia, somente os
mais fortes sobrevivem
Aquiles dizia na Ilíada que se havia alguma coisa que
o incomodava muito mais que as portas do Hades eram as pessoas que dizem uma
coisa e fazem outra. Bom, é muito provável que todos nós tenhamos perto uma pessoa
marcada com esse tipo de perfil que tanto predomina na era do Antropoceno. O
que talvez não saibamos é que não devemos responsabilizar única e
exclusivamente o próprio hipócrita pelo seu comportamento.
A hipocrisia é muito mais do que a clássica dissonância
entre nossas ideias guias e nossos comportamentos. Às vezes o próprio entorno
que nos rodeia nos obriga a isso. Cada dia enfrentamos um enorme quebra-cabeças
existencial, as peças estão dispersas e somos obrigados a sobreviver nestas
“superfícies sociais” tão complexas. Quase sem perceber, às vezes acabamos
fazendo coisas que não se encaixam com nossos próprios princípios, com nossas
ideias ou convicções.
Entre o que se pensa, se diz e se faz, pode existir um
abismo, e apesar de não querer faltar com a nossa própria verdade interior,
acabamos fazendo-o pelas pressões do ambiente. Isto é o que Leo Festinger
definiu como dissonância cognitiva, isto é, vivenciar uma desarmonia ou um
conflito entre o nosso sistema de ideias, crenças e emoções (cognições) com as
próprias condutas.
Mas, apesar de boa parte da nossa sociedade ser
terreno adubado para nos comportarmos como hipócritas criados sob medida, na
verdade podemos diferenciar claramente duas tipologias. Por um lado, estão os
que sofrem essa dissonância cognitiva e decidem colocar limites para encontrar
uma adequada harmonia entre o que pensam e o que fazem. Por outro lado, abundam
os que simplesmente entendem a vida desta forma. A dissonância deixa de existir
para dar passo a uma cognição firme e clara do que a pessoa faz, e passa a ter
total sentido e, acima de tudo, um propósito.
Como se proteger dos comportamentos
hipócritas
Praticar o que se prega não é apenas um gesto de
respeito, mas também de “auto-respeito” e de bem-estar pessoal. Já sabemos que
todos, de alguma forma, já praticamos essa arte em alguma ocasião para poder
nos incorporar a um determinado contexto: um trabalho, uma festa, uma reunião
familiar…
No entanto, se existe uma finalidade clara e objectiva
que as dissonâncias cognitivas têm, é ligar um alerta psicológico para nos
informar de que o fio que sustenta a conduta com os valores está a ponto de se
rasgar. Iniciar um processo de reflexão nos salva, sem dúvida, de cristalizar a
hipocrisia.
“O homem é menos homem quando fala em seu nome. Dêem-lhe uma máscara e ele dirá a verdade.”
[Oscar Wilde]
[Oscar Wilde]
Contudo, o que podemos fazer se muito perto de nós
habita um hipócrita inveterado e corrosivo? Existem pessoas honestas, que
quando pressentem algo tão simples como a incompatibilidade de carácter ou de
valores escolhem colocar distância com adequada elegância e respeito. Isso é
uma coisa que sem dúvida agradecemos, mas infelizmente, nem todo mundo inicia
esse tipo de política dos bons princípios.
O mais correto, sem dúvida, seria que nós mesmos estabelecêssemos
um cordão de segurança e nos afastássemos o suficiente para não concordar
novamente, contudo, se essa pessoa é um familiar, um colega de trabalho ou um
chefe, talvez não seja assim tão simples.
Nesses casos, será muito útil a regra dos três “R”:
Não “reforce”: o hipócrita pode e tem todo o direito de estar ao
seu redor, mas nunca estimularemos os seus comportamentos. Isto é, o ideal é
ser o mais asséptico possível com eles, não travar conversas profundas onde a
intimidade se revela e não dar muita importância ao que possam dizer.
“Respeite-o e respeite-se”. Deixe que o hipócrita seja como
bem quiser, que faça o que desejar, mas sempre na sua própria esfera, não
permita nunca que entre na sua. Respeite-se e dê-lhe a devida importância
justa, sem deixar que afecte a sua atitude.
Não “renuncie” a seus valores. Às vezes, quando passamos muito
tempo em um cenário adubado pela hipocrisia, é comum cair em algum momento
nestes mesmos comportamentos. Lembre-se dos seus valores e princípios e
defenda-os mesmo que o resto das pessoas não os entenda ou não os aprove.
Por fim, e não menos importante, sempre se lembre de
que a hipocrisia se camufla de amabilidade quando alguma coisa lhe convém.
Aprenda a ser intuitivo e cauteloso, e se a oportunidade finalmente acontecer,
não hesite em colocar a distância adequada onde você possa recuperar a sua
plenitude emocional e psicológica.
Texto retirado daqui
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| Fotografia by Billy Kidd |
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Leio nos teus olhos que falamos a mesma linguagem.
Sentimos o mesmo calor na pele...
e...
o mesmo irrecusável apelo...
A.
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| Foto by James Houston |
... queima-me a espuma do desejo por onde navega a minha boca quando penso em ti...
Inclino-me sobre as tuas palavras revejo-me num olhar tão cúmplice como quem, com lentíssimas mãos pressente o apelo dos lábios...
A.
Inclino-me sobre as tuas palavras revejo-me num olhar tão cúmplice como quem, com lentíssimas mãos pressente o apelo dos lábios...
A.
Se quiser ver a imagem maior é só clicar sobre ela.
"A amizade é um amor que nunca morre."
__Mário Quintana
Para ler e reflectir.
"A amizade é um amor que nunca morre."
__Mário Quintana
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